sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O socialismo, mesmo em sua versão democrática, gera uma inigualável destruição ambiental


A América Latina está, mais uma vez, demonstrando ao mundo o veneno social que é o "socialismo democrático", aquela ideologia em pleno vigor na Venezuela e que, inexplicavelmente, possui cada vez mais adeptos entre os jovens dos países desenvolvidos.  (O socialista confesso Bernie Sanders conseguiu arrebatar mais de 13 milhões de votos nas primárias do Partido Democrata). O socialismo — seja ele democrático ou ditatorial — não é destrutivo apenas para a economia de um país, como a história nos mostrou repetidas vezes ao longo do século XX; ele também é inclemente para com a ecologia.
O socialismo e a ecologia
Após o colapso mundial do socialismo no final da década de 1980 e início da de 1990, o Ocidente teve a oportunidade de testemunhar abertamente, pela primeira vez na história, como era tratada a natureza sob um sistema socialista que havia banido por décadas a busca pelo lucro.  Em uma só palavra, era uma catástrofe, como descrito em detalhes em vários livros com títulos como "Ecocídio na URSS".
Neste livro, os autores Murray Feshbach e Alfred Friendly, Jr. fornecem um estudo aprofundado a respeito do "ecocídio" ocorrido na URSS. Abaixo, uma lista de alguns dos problemas mais proeminentes apresentados nesta e em outras fontes:
  • A poluição extrema do Lago Baikal, o mais antigo, o mais profundo e o até então mais limpo corpo de água doce do mundo.  A poluição foi causada por fábricas de papel e por outras indústrias soviéticas que despejavam resíduos não-tratados no lago.
  • O quase desaparecimento do outrora vasto mar de Aral, que secou devido ao desvio de sua água para irrigação, deixando para trás um deserto de sal envenenado por agroquímicos.
  • O desastre nuclear de Chernobyl em 1986, o pior do mundo, causado não apenas por erros de operação, mas também por um projeto negligente que não especificou nenhum recipiente de contenção em caso de acidente.  O acidente nuclear que até então era considerado o pior do mundo àquela época também havia ocorrido na União Soviética: a explosão de um tanque de armazenamento de resíduos sólidos no complexo de armas nucleares de Mayak, em 1957, o que dispersou de 50 a 100 toneladas de resíduos altamente radioativos, contaminando um imenso território a leste dos Urais.
  • Desastrosos incêndios em regiões de turfas nos arredores de Moscou, um legado de projetos soviéticos mal planejados e mal implantados que tinham o objetivo de drenar os pântanos locais.
  • Enormes emissões de gases poluentes em decorrência de uma forte dependência de carvão e de uma matriz energética muito menos eficiente do que as das economias capitalistas.
  • Elevados níveis de poluição do ar nas grandes cidades, causados por fábricas próximas a áreas povoadas e que operavam com um mínimo, ou nenhum, controle de poluição.
  • Práticas agrícolas e florestais destrutivas, levando a uma erosão generalizada e à destruição de habitats.
O mundo também descobriu que os países socialistas da URSS, durante várias décadas, despejavam esgoto não-tratado diretamente em seus rios, lagos e córregos.  O Rio Volga, na Rússia, era tão poluído, que barcos do governo carregavam sinais alertando contra jogar cigarros na água por medo de que os fortes resíduos químicos contidos na água pegassem fogo.  As fábricas não tinham absolutamente nenhum tipo de controle de poluição.  Cardumes encontrados mortos eram algo rotineiro.  A Academia de Ciências da Polônia relatou que, já no início da década de 1990, um terço dos poloneses vivia em áreas classificadas como "desastre ecológico".
Ainda em 1990, os ambientalistas ocidentais noticiaram que cerca de 40% dos cidadãos soviéticos viviam em áreas onde a poluição do ar excedia de três a quatro vezes o limite máximo permitido.  O saneamento era primitivo.  E, onde existia — por exemplo em Moscou — não funcionava adequadamente. Metade de todo o lixo sanitário da capital não era tratado.
Em Leningrado, quase metade de todas as crianças tinham doenças intestinais em decorrência de beberem água contaminada daquilo que um dia já havia sido o abastecimento mais puro da Europa.
A candidatura ao prêmio de local mais poluído do mundo é um dos trágicos legados da União Soviética. Hoje banhado de concreto, o lago Karachai nos montes Urais tornou-se o lixão radioativo de uma das maiores fábricas soviéticas de armamento nuclear. De 1951 a 1968, o despejo de resíduos nucleares enxugou o lago para um terço do seu tamanho original. Ao ser dispersada pelo vento, a poeira radioativa do Lago Karachai contaminou os arredores envenenando cerca de meio milhão de pessoas. Por isso, decidiu-se cobrir o lago com 10 mil blocos de concreto oco.
Quando Boris Yeltsin permitiu a presença de cientistas ocidentais no local, no início da década de 1990, noticiou-se que o nível radioativo nas margens do lago ainda era de 600 röntgens por hora, o suficiente para matar um turista desavisado em trinta minutos.
Já a China, a outra grande economia socialista do mundo, também tem a sua longa lista de pecados ambientais. Em grande parte devido ao uso intensivo de carvão, o país assumiu recentemente a liderança mundial nas emissões de gases causadores de efeito estufa, apesar de ter uma economia cujo tamanho absoluto é metade da economia dos Estados Unidos.
Em termos de qualidade do ar, a China tem 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo. A poluição da água é um desastre nacional generalizado. A liderança chinesa na produção de metais raros foi alcançada em grande parte devido à mineração ilegal, o que causou uma intensa poluição gerada por metais pesados e um consequente desastre na saúde pública local.  Uma crescente porcentagem de poluentes, do mercúrio à fuligem, que está sendo observada na costa oeste dos Estados Unidos tem suas origens na China.
Socialismo versus capitalismo na ecologia
A velha teoria de que a busca pelo lucro em uma economia sem intervenções estatais é a raiz de toda a poluição foi destruída pelos próprios países socialistas.
A primeira razão pela qual o socialismo é mais propenso a desenvolver políticas prejudiciais ao ambiente é que os incentivos econômicos não funcionam sob uma economia socialista.  Em uma sociedade genuinamente capitalista, em que há respeito à propriedade privada, não apenas as empresas poluidoras têm de pagar por eventuais danos à propriedade privada de terceiros, como também as externalidades são plenamente incorporadas aos preços de mercado.  Se o preço da gasolina na bomba refletir integralmente os custos de oportunidade da poluição e o esgotamento de recursos, então os motoristas, independentemente da sensibilidade ambiental de cada um deles, serão forçados a pensar sobre a possibilidade de dirigir menos ou até mesmo de comprar um veículo mais eficiente.
O mesmo princípio se aplica a usuários de energia industrial, sejam eles fabricantes de plásticos, agricultores, ou usinas nucleares.
Já sob o socialismo, os incentivos econômicos para se combater a poluição não funcionam.  Os gestores das indústrias não apenas são insensíveis a incentivos econômicos para a proteção do meio ambiente, como também são insensíveis a todo e qualquer tipo de incentivo econômico.  O sistema soviético, por exemplo, não apenas incentivava a depredação ambiental, como também era esbanjador e gerava desperdícios em todos os sentidos possíveis.  Ele desperdiçava trabalho, capital, energia, recursos naturais, cimento, aço, carvão, tratores, fertilizantes, madeira, água — desperdiçava tudo.  Por quê? Porque não havia busca pelo lucro.
O segundo motivo pelo qual o socialismo tende a ser mais poluidor do que um genuíno capitalismo está relacionado às atitudes sociais que surgem quando não há direitos de propriedade.  Onde há direitos de propriedade bem definidos, sempre haverá um proprietário que resistirá à transgressão, seja ela feita por pessoas a pé ou por produtos químicos nocivos jogados no ar.  Sim, é verdade que o sistema judiciário não funciona perfeitamente.  Muitas vezes, os proprietários não conseguem proteger adequadamente os seus direitos.  Mas os direitos existem.  Se não estão sendo impingidos, isso é culpa do estado, que detém o monopólio do sistema judiciário.  Adicionalmente, quando a noção de propriedade privada se torna generalizada, ocorrendo até mesmo sobre minúsculos pedaços de terra, o respeito aos direitos de propriedade de terceiros também se torna difuso — embora, infelizmente, não de forma universal.
Adicionalmente, sob o capitalismo, entidades ambientais podem utilizar os mecanismos de propriedade privada para proteger habitats críticos.  Veja ótimos exemplos práticos aqui e aqui.  Por fim, a propriedade privada dos meios de comunicação pode sustentar uma voz independente para mídias alternativas, que podem então divulgar suas causas ambientais.  Até os eco-socialistas desfrutam da proteção da propriedade privada em seus sites e suas conferências.
Já em um sistema socialista, os produtores detêm o total controle das alavancas do poder político.  Na condição de empresas estatais, eles não são apenas meros lobistas; eles são parte integrante da estrutura do governo.  Na URSS, por exemplo, todo o sistema de incentivos da economia soviética, desde o Politburo até o gerente de uma fábrica local, estava focado em apenas uma coisa: alcançar as inatingíveis metas de produção do Plano Quinquenal.  O ambiente sempre era a vítima.
Portanto, ao contrário de países capitalistas que respeitam a propriedade privada — e que, por isso, responsabilizam judicialmente os responsáveis pelos danos que causam a terceiros —, nos países socialistas, os políticos responsáveis pela poluição causada pelas indústrias nacionalizadas ou pela poluição sofrida por rios, lagos e lagoas (que são de propriedade do governo) têm pouca ou nenhuma responsabilidade sobre o ocorrido. 
A propriedade estatal dos recursos naturais significa, com efeito, que ninguém é dono de nada; e se ninguém é dono de nada, então todos esses recursos serão explorados, abusados e utilizados em excesso.  A ausência de direitos de propriedade e de um sólido e independente sistema judiciário é uma receita para o desastre ecológico.
Quando um horrível acidente causou uma letal explosão em uma plataforma de petróleo no Golfo do México, a British Petroleum, uma empresa privada, imediatamente criou um fundo de US$ 20 bilhões, o qual a empresa sabia que teria de utilizar para pagar pelos estragos. 
Em contraste, quando o governo do México provoca desastres ambientais e humanos muito piores no Golfo do México, ele rotineiramente nada faz, alegando "imunidade soberana". 
Desde 2015, a Pemex, a empresa petrolífera estatal do país, causou três catastróficas explosões em suas plataformas de petróleo, resultando em várias mortes, em muitos feridos, e em severas poluições do ar e do oceano.  O governo mexicano, inacreditavelmente, alegou que não houve derramamento do petróleo, o que rapidamente foi desmentido por imagens de satélite mostrando uma mancha de óleo de quase 5 quilômetros de extensão.
[N. do E.: para ver a posição libertária sobre o desastre causado pela mineradora Samarco, veja este artigo].
As Olimpíadas do Rio
A cobertura televisiva das Olimpíadas 2016 no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, já está mostrando os horrendos problemas de poluição daquele país, o qual foi governado por mais de 13 anos pelos "socialistas democráticos" do Partido dos Trabalhadores, o qual orgulhosamente proclama ser o "socialismo revolucionário" a ideologia que o define.  Além de criar uma das piores pobrezas no mundo, o governo brasileiro também conseguiu transformar as outrora belas praias do país em fétidos esgotos.
Um artigo publicado no dia 2 de agosto no jornal britânico The Daily Mail relatou as conclusões de um estudo sobre a poluição no Rio de Janeiro às vésperas das Olimpíadas.  Eis uma amostra do que foi relatado (clique no link para ver as horrendas fotos):
* Os atletas foram alertados a não colocarem suas cabeças dentro da água.
* Os níveis virais na Baía de Guanabara, onde ocorre a prova de triatlo, estão 1,7 milhão de vezes acima do limite aceitável nos EUA e na Europa.
* O lixo boiando sobre algumas regiões da baía é tão volumoso que você não consegue ver a água; ratos vivem e se procriam sobre o lixo flutuante.
* Um cadáver boiando e um braço decepado foram recentemente vistos na Baía de Guanabara.
* Há níveis extremamente elevados de vírus na areia das praias.
* O nível viral na Marina da Glória, onde ocorrerão as provas de vela, está vários milhares de vezes acima do limite máximo tolerado nos EUA.
* "Línguas negras de águas fétidas de esgoto" são "comuns" na "elegante" praia de Ipanema.
* Vastas ilhas formadas por lodo de esgoto são avistadas durante a maré baixa, despejadas ali por prédios residenciais.
* Vários rios estão "da cor preto-alcatrão" por causa da poluição.
Tais tipos de pesadelos ecológicos também já se tornaram comum em outra vitrine latino-americana do "socialismo democrático": a Venezuela vivencia hoje um maciço desflorestamento, e seu Lago Maracaíbo está sendo poluído a uma taxa de 38.000 litros de esgoto por segundo, despejado diretamente nele por dois milhões de residências ao redor do lago.  Mais de 800 empresas, praticamente todas elas ligadas à estatal petrolífera PDVSA, têm permissão do governo para despejar resíduos industriais no lago.
Já o enorme Lago Valencia também está "maciçamente poluído", com relatos de que a PDVSA já encheu mais de 15.000 poços de armazenamento de petróleo com uma borra contaminada oriunda do petróleo explorado nas adjacências.  Essa borra inevitavelmente irá contaminar o lençol aquático.
Uma lição que todos os defensores do "socialismo democrático" — principalmente os adolescentes sonhadores — devem aprender é que o socialismo, democrático ou ditatorial, não apenas destrói seu futuro econômico (especialmente dos adolescentes), como também inflige danos irreparáveis ao ambiente no qual vivem.
O socialismo, sempre e em todos os lugares, é um desastre econômico e ambiental.


Thomas DiLorenzo é professor de economia no Loyola College, em Maryland e membro do corpo docente senior do Mises Institute. É o autor dos livros The Real LincolnLincoln Unmasked, How Capitalism Saved America: The Untold History of Our Country, From the Pilgrims to the Present, Organized Crime: The Unvarnished Truth About Government e, mais recentemente, The Problem with Socialism.
Edwin Dolan é economista e Ph.D. pela Universidade de Yale.  De 1990 a 2001, lecionou em Moscou, onde ele e sua mulher fundaram o American Institute of Business and Economics (AIBEc), um programa de MBA independente e sem fins lucrativos.  Desde 2001, ele já lecionou em várias universidades da Europa, como Budapeste, Praga e Riga.  É autor do livro TANSTAAFL, the Economic Strategy for Environmental Crisis.


fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2484