quarta-feira, 28 de novembro de 2012

RESERVA E PRODUÇÃO MUNDIAL DE NIÓBIO





NIÓBIO



I - OFERTA MUNDIAL - 2006

O Brasil possui as maiores reservas de pirocloro (Nb2O5) do planeta e estão concentradas nos Estados de Minas Gerais (73,03%) no município de Araxá, no Amazonas (25,57%), em São Gabriel da Cachoeira, próximo às fronteiras da Colômbia e da Venezuela e em Goiás (1,40%), nos municípios de Catalão e Ouvidor.
A Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração tem o capital dividido entre o Grupo Moreira Sales (proprietários do Unibanco) e a Molycor Inc (EUA), sendo que a CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais), empresa de economia mista do Governo de Minas Gerais, detem uma cota de participação de 25% dos lucros da CBMM. A CBMM possui reservas de 456 milhões de toneladas de minério intemperizado, com teor médio de 2,5% de Nb2O5. No Estado de Goiás, a empresa Anglo American Brasil Ltda, subsidiária da Anglo American plc e proprietária da mineração Catalão, detém uma reserva lavrável de 8.194.139 t, com teor médio de 1,22% Nb2O5.

Reserva e Produção Mundial

DISCRIMINAÇÃO

RESERVAS (2)
PRODUÇÃO (1) (t)
Países
2006 (r)
(%)
2005 (r)
2006 (p)
(%)
Brasil
3.685.440
96,36
87.745
104.885
96,40
Canadá
110.000
2,88
3.400
3.500
3,22
Austrália
29.000
0,76
200
200
0,19
Nigéria
-
-
40
80
0,07
Ruanda
-
-
63
65
0,06
Moçambique
-
-
34
35
0,03
Rep.Dem. do Congo
-
-
25
25
0,02
Etiópia
-
-
7
11
0,01
TOTAL
3.824.440
100,00
97.514
108.801
100,00
Fontes: DNPM-AMB, USGS Mineral Commodity Summaries 2007.
(1) Dados referentes a Nb20contido no minério. (p) Preliminar (-) Não disponível
(2) Reservas medidas e indicada (r) Revisado

II - PRODUÇÃO INTERNA

O aumento na produção nacional de pirocloro contido no minério em 19,5% comparado ao ano de 2005 foi justificado pelo melhor aquecimento no mercado de ferroligas, alavancado pela elevada expansão do PIB dos países asiáticos (China e Índia, principalmente), que apesar das expectativas de ajuste no crescimento, sobretudo da economia chinesa, já mantêm um crescimento contínuo e sustentado há mais de uma década.
A Anglo American Brasil Ltda, do grupo empresarial britânico Anglo American plc, tem capacidade na usina de concentração para tratamento de 1.000.000 t/ano de minério bruto, produção de 14.000 t/ano de concentrado de pirocloro e produção de 7.500 t da liga FeNb. Em 2006, produziu 7.250 t de Nb2O5 contido no concentrado e 4.845 t de Nb contido na liga ferro-nióbio. A CBMM produziu em suas instalações 61.600 t de Nb2O5 contido no concentrado, 36.721 t de Nb contido na Liga FeNb STD e 4.008 t de óxido de nióbio de alta pureza. A empresa possui capacidade para produção de 60.000t/ano de FeNb STD e 4.200 t/ano de óxido de nióbio de alta pureza.

III - IMPORTAÇÃO

Não ocorreram importações de produtos a base de nióbio em 2006. O Brasil é auto-suficiente para atender as demandas do mercado interno.

IV – EXPORTAÇÃO
A CBMM foi responsável por 87,66% do total de divisas em dólares-FOB gerados por exportações de produtos a base de nióbio (Nb2O5) no país. Este fato faz do nióbio o terceiro maior item na pauta de exportação da economia do Estado de Minas Gerais, a terceira maior economia do Brasil. Esta empresa exportou 34.325 t de Nb contido na liga ferro-nióbio (93,45% do total produzido) e 433 t de óxido de nióbio (10,8% do total produzido), totalizando US$ 467,560,000.00 em entrada de divisas para o país. Do total da liga Fe-Nb exportada, 35% foi destinado para CBMM Europe, em Düsseldorf, na Alemanha; 22% para Reference Metals Company, em Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia (EUA); 20% através de seu distribuidor na China, a CITIC Metal Company; 16% para a CBMM Asia Ltd., em Tóquio, Japão e os outros 7% foram através de vendas diretas. Do total exportado de óxido de nióbio, 94% foi destinado à Reference Metals Company e o restante para a CBMM Europe.
A Anglo American exportou 7.255 t de liga Fe-Nb , com 4.805 de nióbio contido, para aplicação em aços microligados, com aplicações na construção civil, na indústria mecânica, aero-espacial, naval, automobilística, dentre outros setores. A receita auferida foi de US$ 65,830,311.89 e os países importadores foram: Alemanha (41%), EUA (27%), Japão (19%) e outros (13%).

NIÓBIO

V - CONSUMO INTERNO

A Anglo American não comercializa sua produção no mercado interno, toda a demanda brasileira é atendida pela CBMM que em 2006, destinou 2.407 t de nióbio contido na liga FeNb STD às empresas metalúrgicas nacionais, o equivalente à 6,55% de sua produção, objetivando atender os Estados de Minas Gerais (54%), São Paulo (20%), Espírito Santo (17%), Rio de Janeiro (6%) e outros (3%). As principais empresas consumidoras foram: Usiminas (27%), Acesita (17%), CST (16%), Cosipa (12%), Grupo Gerdau (9%) e Siderúrgica Barra Mansa (2%).


Principais Estatísticas - Brasil ·
Discriminação
2004(r)
2005(r)
2006(p)
Produção:
Concentrado(1)
(t)
34.016
56.023
68.850
Liga Fe-Nb(2)
(t)
25.169
38.819
41.566
Óxido de Nióbio
(t)
2.529
3.999
4.008
Exportação:
Liga Fe-Nb(2)
(t)
20.145
34.725
39.130

(103 US$-FOB)
249,326.00
468,844.90
528,730.31
Óxido de nióbio
(t)
592
495
433

(103 US$-FOB)
9,739.00
7,552.00
4,660.00
Importação:
Semi-Manufaturados
(t)
5
0
0

(103 US$-FOB)
57.00
0.00
0.00
Consumo Aparente:
Liga Fe-Nb(2)
(t)
5.024
4.094
2.436
Óxido de Nióbio
(t)
1.937
2.938
3.575
Preço Médio *:
Liga Fe-Nb(2)
(US$/t-FOB)
12,376.57
13,501.65
13,512.15
Óxido de nióbio
(US$/t-FOB)
16,451.01
15,256.57
10,762.12
Fontes: DNPM-AMB; MDIC-SECEX,CBMM, Anglo American
(1) Dados em Nb2O5 contido no concentrado; (2) Dados em Nb contido na liga; (r) revisado, (p) preliminar.
* Preço Médio base exportação.


VI - PROJETOS EM ANDAMENTO E/OU PREVISTOS

O grupo Anglo American Brasil tem realizado pesquisa mineral em novas áreas, visando ampliar as reservas minerais já existentes e também planeja implantar uma nova usina, assim tornando possível a reativação da mina de Chapadão, em Ouvidor. A CBMM, no entanto, priorizou novos investimentos para ampliar a capacidade anual de produção para 90.000 t/ano de FeNb.

VII - OUTROS FATORES RELEVANTES


As mineradoras canadenses Iamgold e Cambior fundiram suas atividades em setembro de 2006, num negócio avaliado em US$ 3 bilhões e que cria a décima maior mineradora de ouro com capital aberto do mundo. Nesta fusão envolve também o terceiro maior produtor mundial de pirocloro, a Niobéc, até então pertencente à Cambior e localizada na Província francófona de Québec, no Canadá.
Em 2004, pesquisadores da UFRJ desenvolveram o luminol brasileiro, feito de nióbio. O luminol é um produto usado pela medicina forense para descobrir manchas de sangue em qualquer superfície, mesmo as que forem lavadas. O luminol importado dos EUA é submetido a altas pressões e temperaturas, enquanto o luminol nacional é feito de maneira artesanal e fica 90% mais barato que o importado. Outra diferença é que o produto importado precisa de radiação ultravioleta para localizar traços de sangue, enquanto o luminol de nióbio não precisa disso: basta apenas que o ambiente esteja escuro.
Depois de vários anos de elevado crescimento da demanda mundial, é esperada uma desaceleração neste crescimento, a uma taxa máxima de 3% ao ano. Entretanto, alguns fatores podem modificar esta expectativa de mercado, provocando a continuidade na elevação da demanda pelo nióbio, tais como: o aumento da demanda de aços microligas, visando aumentar a resistência com menor peso, nos futuros carros ultraleves, movidos a bateria; uma possível elevação dos preços do barril de petróleo, viabilizando novos projetos de exploração e a manutenção de linhas de transmissão desativadas, o que demandaria uma maior produção de ligas resistentes, contendo nióbio e a expansão da economia chinesa e de outros países asiáticos em ritmo acelerado.

Rui Fernandes P. Júnior- DNPM/GO