quinta-feira, 5 de julho de 2012

Municípios brasileiros vão eleger mais de 56 mil vereadores em outubro -As câmaras municipais vão passar a contar com mais 5.070 vereadores a partir de 2013.

Apesar da crise que reduziu o crescimento econômico, o Brasil elegerá em outubro 5.070 vereadores a mais que em 2008. Ao todo, serão eleitos 56.818, quase 10% mais que os 51.748 de quatro anos atrás. Os dados são da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que está assustada com o aumento de despesas. Há um mês, quando a CNM divulgou seu levantamento anterior, já havia 3.672 novas cadeiras nascâmaras municipais. Ou seja, em 30 dias foram contabilizadas mais 1.398.  


Não tem dinheiro para saúde, educação,saneamento básico,infra-estrutura. mas tem para sustentar politicos, uma vergonha. Um abusrdo!! leiam as matérias abaixo.

Municípios brasileiros vão eleger mais de 56 mil vereadores em outubro

As câmaras municipais vão passar a contar com mais 5.070 vereadores a partir de 2013. Eles vão se somar aos 51.748 já existentes, alçando um total de 56.818 vereadores em todo o País. O aumento de cadeiras está amparado na mudança do total da população registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na estimativa publicada em 31 de agosto de 2011. As novas vagas foram criada com base na Emenda Constitucional 58 que permite a criação ou redução do número de cadeiras nas câmaras, através de mudanças na Lei Orgânica Municipal (LOM). O prazo para aumentar as vagas acabou em 30 de junho.
Os números constam de pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) que consultou Municípios de todo o País. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski adianta que a criação de cinco mil vagas de vereadores aumentará o custo. Mas não sabe, neste momento, precisar o impacto financeiro. Lembra, porém, que o subsídio do vereador equivale a 75% dos subsídio do deputado estadual, que, por sua vez, recebe o equivalente a 60% do vencimento de um deputado federal, atualmente em R$ 26, 6 mil.
Com base nos dados divulgados pelo IBGE, o estudo da CNM concluiu que dos 5.563 municípios brasileiros, 2.153 poderiam aumentar o número de vereadores por meio de alteração em suas leis orgânicas. Desses, 2.125 responderam a questionários da CNM e 1.535 (72%) confirmaram que aumentariam suas cadeiras no legislativo local; 590 informaram que manteriam o mesmo número. A estimativa populacional do IBGE permitiria a criação de até 8.036 novas cadeiras, o que elevaria o número final para 59.764 vereadores. “Mas em muitos municípios a sociedade se mobilizou ou os próprios vereadores decidiram não alterar as vagas”, explica Ziulkoski.
          * Veja aqui o Estudo completo sobre esse aumento e abaixo sobre não ter dinheiro para saúde,educação,saneamento básico,etc.

Jornal Valor: “Delírios não cabem no caixa dos Municípios”


Em matéria publicada na edição desta quinta-feira, 5 de julho, de autoria do jornalista Ribamar Oliveira, o jornal Valor Econômico analisa a dificuldade que o piso dos professores causa aos Municípios e a maioria dos Estados. O piso dos professores do ensino básico, que está hoje em R$ 1.451 será reajustado em 21,8% em janeiro do próximo ano.
Esse aumento já está contratado e só não ocorrerá se o Congresso Nacional mudar a Lei 11.738/2008 antes do fim deste ano. Essa é a principal preocupação hoje dos prefeitos e governadores, pois a maioria deles garante que não tem como pagar o novo aumento. Só para lembrar, o piso, que também vale para os professores aposentados, foi reajustado em 22,2% em janeiro deste ano.
Em recente entrevista ao Valor, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, também manifestou preocupação com o aumento. Ele disse que esse reajuste, junto com outros projetos em discussão no Congresso e que elevam as despesas públicas, pode "quebrar um Estado". Ontem, foi a vez do ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertar sobre a criação de novos gastos pelo Congresso, embora ele não tenha se referido especificamente ao piso dos professores. Mantega também falou em quebra do Estado.
A Lei 11.738/2008 estabelece que o piso deve ser atualizado, anualmente, em janeiro, utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo a ser gasto por aluno da 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental. Existe um projeto na Câmara, pronto para ser submetido ao plenário, que muda o critério de correção do piso. Ele passaria a ser atualizado pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Antônio Cruz / ABrAntônio Cruz / ABr
Prefeitos sofrem pressão do aumento das despesasEsse projeto foi aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, em novembro do ano passado, em caráter terminativo, depois de ter passado pelo Senado. O projeto seguiria para sanção da presidente Dilma Rousseff. Mas no início de dezembro a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) apresentou recurso, subscrito por outros deputados, para que o projeto fosse submetido ao plenário da Câmara. Ele aguarda entrar na ordem do dia, mas são poucos os parlamentares que acreditam que, em ano de eleição municipal, a Câmara vote esse projeto. Talvez após as eleições.
Um princípio fundamental da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não vem sendo respeitado por senadores e deputados. A LRF, em seu artigo 17, diz que uma despesa obrigatória de caráter continuado só pode ser criada ou aumentada se for demonstrada a origem dos recursos para o seu custeio. Os prefeitos, principalmente, estão sofrendo com o constante aumento de suas atribuições pelo Congresso, sem que haja preocupação em indicar as fontes de receita que vão custear os novos gastos.
Avaliação do impacto
Não consta que houve uma avaliação do impacto da Lei 11.738/2008 nas finanças das prefeituras e dos governos estaduais. A lei também não indicou as fontes de receita para cobrir os novos gastos. O piso dos professores do magistério público, no entanto, é apenas um dos casos.
O programa Proinfância do governo federal é outro exemplo. Por meio desse programa, o governo federal transfere recursos às prefeituras para a construção e a aquisição de equipamentos e mobiliário destinados a creches e a pré-escolas públicas da educação infantil. O problema é que o custeio dessas creches e pré-escolas, que precisam contar com pessoal especializado, é elevado e fica por conta das prefeituras.
Valter Campanato / ABrValter Campanato / ABr
A Confederação Nacional do Municípios (CNM) estima que o custo médio de cada criança mantida em uma creche em tempo integral é de R$ 600 por mês, em média. Para essa finalidade, o prefeito só pode contar com R$ 200 por mês, por criança, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O restante ele terá que tirar da receita de seu Município, que já está comprometida com outros encargos. A criação de creches e pré-escolas é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino do país, mas é preciso perguntar como esse programa será custeado.
As agruras dos prefeitos não acabam aí. Ninguém questiona a importância do programa Saúde da Família (PSF) para a melhoria da vida do brasileiro. O programa prevê a criação de equipes que acompanharão as famílias, em ações de prevenção, recuperação e reabilitação de doenças. Cada equipe é constituída por um médico, que trabalha em tempo integral, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem. Existem, atualmente, cerca de 32 mil dessas equipes nas prefeituras brasileiras, segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
O custo médio mensal de cada uma dessas equipes, de acordo com Ziulkoski, é de R$ 35 mil. "Não é possível encontrar um médico que trabalhe em tempo integral e queira receber menos de R$ 10 mil por mês", observa Ziulkoski. Para custear essa despesa, cada prefeitura recebe do Ministério da Saúde R$ 9 mil por mês por equipe, de acordo com o presidente da CNM. O restante é custeado com recursos próprios da prefeitura.
Pref. Novo Hamburgo (RS)Pref. Novo Hamburgo (RS)Avaliação da CNMOutra bomba está para explodir no colo dos prefeitos. A lei que estabelece normas para o Saneamento Básico prevê que, até 2014, todas as prefeituras devem estar recolhendo o lixo de forma seletiva, fazendo a compostagem do que for orgânico e transformar os chamados lixões em aterros sanitários. Atualmente, segundo Ziulkoski, apenas 36% dos Municípios brasileiros possuem aterros sanitários.
O presidente da CNM estima que será preciso gastar cerca de R$ 70 bilhões para implementar essa determinação legal. É importante observar que a receita própria anual de todos os Municípios é de cerca de R$ 70 bilhões - nesse montante não estão incluídas as transferências recebidas. "A despesa corresponde a um ano da arrecadação municipal", afirma Ziulkoski.
Ele lembra que no dia 2 de agosto acaba o prazo para que os Municípios apresentem um plano sobre a gestão dos resíduos sólidos. "Só 20% dos Municípios fizeram o plano", informa.
A situação do prefeito é ainda mais difícil porque se não cumprir o que determina a legislação, ele sofrerá a cobrança do Ministério Público, com ações na Justiça. Em sua defesa, ele tem apenas o artigo 17 da LRF, que não está sendo respeitado.