domingo, 6 de abril de 2014

O futuro da Colômbia (e o do Brasil) é o presente na Venezuela?

thaniaA Venezuela é o espelho do que pode ser a Colômbia.
Não podemos aceitar que agora se ponham em julgamento as instituições e as leis da República. As FARC pretendem chegar ao poder e mudar as regras do jogo.

Thania Vega
 é a esposa do coronel Alfonso Plazas, que dirigiu e planejou a retomada do Palácio da Justiça, pelas mãos dos terroristas do M-19 no ano de 1985. Vítima das arbitrariedades da justiça colombiana e ardente e veemente defensora das políticas do ex-presidente Álvaro Uribe, Thania defende a necessidade de uma justiça estritamente militar para os soldados colombianos e nega-se a aceitar que o processo de paz conclua em uma “falsa paz” em troca da impunidade dos terroristas.
Que notícias tem do processo de paz?
Não parece que se está informando muito acerca do que realmente está acontecendo, inclusive o ex-presidente Álvaro Uribe, que é a oposição, tampouco tem muitas notícias a respeito. Creio que é evidente o que se está negociando em Havana. É que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) cheguem ao poder por outras vias distintas da armada. Fracassaram em sua tentativa de chegar ao poder pela força e agora querem que, através de umas negociações, consigam uma quota de poder que lhes foi negada. Falam de paz, mas é uma falsa paz, pois não a querem e seu objetivo final, como já denunciamos, é somente o poder. Querem entrar na política para conseguir seus objetivos de toda a vida, aquilo que lhes foi negado pelas armas e que agora este executivo o quer entregar sem ao menos lutar. Hoje vivemos uns dias muito perigosos para o país, pois se está atacando a constitucionalidade e as leis da nação, pretende-se vulnerar a legalidade para tornar possível que as FARC sejam parte das instituições. Creio que o futuro do país é negro, já que as FARC querem o poder e não a paz. Ocultam seus verdadeiros objetivos aos colombianos e mentem com absoluto descaramento e impunidade.
Parece que o processo eleitoral antes das presidenciais se animou. Acreditam que seu candidato tem possibilidades?
Eu acredito que nosso candidato, o homem que apóia Uribe, Oscar Iván Zuluaga, tem possibilidades de dar a batalha e inclusive ganhar, apesar de que já vimos que alguns são capazes de usar a fraude eleitoral para se impor por outras vias distintas a dos votos. Em qualquer caso, eu creio que o que as eleições legislativas refletiram é que o Centro Democrático liderada pelo ex-presidente Uribe pode ganhar as eleições e que também pode ser o partido que tenha em suas mãos a eleição presidencial. Pensamos que somos um movimento cidadão com grandes possibilidades e assim se demonstrou. Chegamos ao legislativo com 22 senadores e muitos representantes da Câmara. Tiraram-nos vários representantes no último momento, devido a uma fraude que se cozinhou em apenas 40 minutos, mas houve uma vitória clara de nosso movimento e isso vai se refletir nas próximas presidenciais porque acredito que o país está se dando conta de que não há mais opções que a nossa. Nós, além disso, queremos a paz com justiça e nunca vamos aceitar que as FARC ponham este país de joelhos e se aceitem suas imposições. Temos que ser firmes e rotundos nestes aspectos, pois senão os rumos aos quais não podem levar estas políticas erradas são imprevisíveis.
Se o presidente Juan Manuel Santos for re-eleito, que tipo de oposição lhe faria?
Nós estamos denunciando muitas das coisas que estão ocorrendo sob sua presidência, como o processo de paz. Nós queremos a paz, mas não a qualquer custo e cedendo nos princípios fundamentais. Tampouco queremos a impunidade e não aceitamos que os terroristas deixem as armas, já que não as vão entregar, para que possam integrar-se na vida política do país como se não tivessem feito nada. Não podemos aceitar esse preço em troca da paz, é absolutamente injusto. A impunidade nos resulta inadmissível, tanto desde o ponto de vista político como moral.
A senhora não acredita que a situação da Venezuela é uma ameaça para a Colômbia?
Assim eu denunciei e disse. A Venezuela é o espelho do que pode ser a Colômbia, e devemos lutar para que isso não ocorra. Eu não quero ver meu país dentro de três ou quatro anos vivendo a angústia e o terror que se está vivendo na nação irmã e vizinha. Temos que lutar e dar a batalha para que isso não ocorra. Todos os países vizinhos que caíram nas mãos da esquerda são um desastre em todos os sentidos, e são incapazes de garantir a seu país bem-estar e prosperidade, senão todo o contrário.
Em que áreas a senhora vai trabalhar nestes anos como senadora?
Fui vítima durante todos estes anos da injustiça colombiana, padecendo e sofrendo como meu marido, que é militar, está na prisão por defender a legalidade e a democracia na Colômbia. Há quinze mil militares processados a mercê de uma situação que considero injusta e que condena de uma forma infame àqueles que defenderam a Lei, arriscando suas vidas e também as de suas famílias. Quero lutar por estes milhares de militares detidos, procurando que se lhes faça justiça e que sejam julgados pela justiça militar. Neste sentido, sempre defendi e defenderei o Foro Militar, já que considero que em uma situação de conflito, de guerra, os militares devem ser julgados de acordo com essa situação, e não seguindo os parâmetros de uma justiça que não é neutra, que muitas vezes está parcializada.
Que contribuição pode dar ao país?
Nós, no Centro Democrático, queremos ser os fiadores de alguns princípios e valores que acreditamos que se abandonaram sob a presidência de Santos. Tivemos a herança do presidente Uribe, que nos trouxe segurança e grandes mudanças ao país, e creio que temos que voltar a esse rumo e a garantia de que isso ocorra é que ganhemos a presidência e que nosso candidato, Oscar Iván Zuluaga, seja o novo presidente e o país recupere o bom caminho. É necessário voltar às políticas do presidente Uribe para recuperar o tempo perdido e retomar os mecanismos que podem trazer uma mudança fundamental na Colômbia.
A senhora acredita que esta luta que levou a cabo nestes anos valeu a pena?
Claro que sim, estivemos defendendo aqueles homens e soldados que deram tudo pela pátria e defenderam nossa democracia. Agora vamos continuar dando essa batalha desde as instituições e, mais concretamente, desde o Legislativo. É importante dar essa luta porque estão em jogo assuntos muito importantes, como a legalidade constitucional e a própria democracia. Não podemos aceitar que agora se ponham em julgamento as instituições e as leis da República. As FARC pretendem chegar ao poder e mudar as regras do jogo.
Esta etapa política é nova para a senhora. Como a enfrenta?
Com muita vontade de trabalhar e oferecer à sociedade colombiana todo o meu conhecimento e minha experiência na luta que venho travando nestes anos em defesa da justiça, da liberdade e da verdade. Minha vida me deu grandes oportunidades. Fui esposa e filha de militares e isso me deu um grande conhecimento do sofrimento destes homens que têm dado tudo pela pátria. Acredito que vou ter a oportunidade de defender estes valores que me inculcaram e batalhar por minhas idéias, apresentando propostas e iniciativas que contribuam para o engrandecimento de instituições que considero fundamentais para a Colômbia, como são as Forças Armadas, que se batem no combate pela defesa de nossa democracia e instituições.

Tradução: Graça Salgueiro 

fonte: http://www.midiasemmascara.org/