segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A loucura dos autoenganados


Duda Mendonça tem sido um ator saliente desse mergulho regressivo que a sociedade brasileira tem feito desde 2002. É culpado em mais alto grau.

Em entrevista à coluna da Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, Duda Mendonça declarou: "Hoje o eleitor é pragmático. Só quer saber qual voto pode melhorar sua vida. Não quer saber quem é mais ou menos correto, se é de direita ou esquerda."
Estamos diante aqui de um aparentemente argumento irrefutável de cunho utilitarista em prol da falta de escrúpulos do discurso eleitoral do PT, bem como de suas ações de governo. O problema é que a sentença do Duda Mendonça é integralmente mentirosa, uma justificativa ex post facto para as estripulias eleitorais do partido governante. O eleitor sempre foi pragmático e por isso no passado votava contra o PT, porque desde que Sócrates e os profetas hebreus apareceram no mundo sabe-se que a moral superior é o Bem e o pragmatismo que pode triunfar é aquele que o coloca em primeiro lugar. Não há contradição entre o bem comum e o bem estar individual.
Por isso saber quem é mais ou menos correto é o primeiro passo para melhorar a vida coletiva e individual, pautando a escolha dos dirigentes políticos pela rigorosa ética. Saber se é de direita ou de esquerda também, porque a esquerda sempre esteve associada à revolução, à mentira, à impiedade, à tramoia, ao irracionalismo, ao errado. A história da esquerda é a história da destruição.
A mentira escondida na sentença de Duda Mendonça é a de que o uso de recursos estatais de forma desmedida e imoral para a manutenção do poder é algo certo e que a população que vota enganada nos impostores não está sendo pragmática na falsa escolha induzida, mas o seu oposto. Um maquiavelismo canhestro está implícito aqui. Colocar os piores no poder é ruim para toda gente, inclusive para os eleitores aparentemente utilitaristas, que pensam votar movidos pelos próprios interesses.
Essa mentira esconde que a verdade é conhecida. E qual é esta? A de que o Estado grande é antieconômico, dispendioso, desperdiçador, irracional. A ciência econômica tem três séculos que descobriu as leis que mostram por “a” mais “b” que a iniciativa privada precisa capitanear a economia porque é mais eficiente e faz a mais justa distribuição de renda. E que a união do poder político com o poder econômico tem a consequência nefasta de implantar as bases sobre as quais emerge o totalitarismo. Esse é um saber permanente que Duda Mendonça oculta, porque seu partido precisa dessa mentira para poder se eleger e se manter no poder. Unicamente quem ganhar com a mentira são os comissários do PT.
O discurso de Duda Mendonça é autojustificador de suas próprias tramoias pessoais. Creio que ele sabe discernir o certo do errado, a verdade do erro. Ele aderiu à mentira de forma espontânea, utilitariamente, fazendo propaganda descarada da causa que utiliza a mentira como ferramenta para chegar ao poder. É portanto um propagador profissional da mentira. Duda Mendonça se equipara aos piores militantes do PT, porque sabe o caminho certo e o oculta de propósito. É um mentiroso em busca de resultados. As mentiras do PT deram lucros para Duda Mendonça em prejuízo de todos os brasileiros.
É preciso que se diga que no eleitorado do PT estão os extratos mais ricos da sociedade e da mais alta burocracia do Estado, incluindo os militares. Toda a gente que compõe a elite econômica e letrada aderiu ao projeto do PT. É uma espécie de alucinação coletiva, que supõe que o socialismo é a melhor coisa e que o PT tem um propósito redentor, embora a ciência política e o bom senso digam o contrário. A loucura dos autoenganados vai custar muito caro para ser reparada na curva da história.
Os pobres também aderiram ao discurso populista e irracional do PT. Não têm sequer a desculpa de serem pobres, porque pobreza não é sinônimo de burrice e mau-caratismo. A desculpa que lhe cabe é de terem sido enganados pela propaganda profissional mentirosa de gente como Duda Mendonça.
Duda Mendonça tem sido um ator saliente desse mergulho regressivo que a sociedade brasileira tem feito desde 2002. É culpado em mais alto grau. É um mentiroso profissional.