quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sem teto não trabalha??? Sem-teto continuam acampados em frente à Câmara de São Paulo - Vão trabalhar, fazer alguma coisa útil para comprarem um teto.

Gostaríamos de saber, sem teto não trabalha não??? eles são sem teto ou sem trabalho também? Vão trabalhar, fazer alguma coisa útil para comprar uma casa.

Sem-teto continuam acampados em frente à Câmara de São Paulo
(Atualizada às 10h)

O grupo de trabalhadores sem-teto que passou a madrugada desta quarta-feira acampado em frente à Câmara Municipal de São Paulo para pressionar os vereadores a aprovarem o Plano Diretor, ocupa também, desde as 7h30, o viaduto Jacareí, onde fica a Câmara.
A CET pede que os motoristas evitem a região, pois há início de congestionamento.
Os sem-teto, que ocupam o local desde a tarde de ontem, terça-feira, dizem que só vão embora após os vereadores votarem pela aprovação. O plano, que depende de segunda votação, é um conjunto de regras do crescimento da cidade por 16 anos.
Líderes do MTST estimam que 300 pessoas estão acampadas em frente à Câmara. Elas vieram das ocupações Copa do Povo, Portal do Povo, Faixa de Gaza, Capadócia, Dona Deda e Vila Nova Palestina.
Um grupo de cerca de 20 pessoas que acompanhava a sessão de terça-feira dormiu dentro do plenário da Casa e permanece lá dentro. Como não puderam entrar com colchonetes, eles dormiram encolhidos no chão forrado com lençóis entre as cadeiras do plenário.
Sentada em uma das cadeiras do plenário, a copeira Eliene Moreira de Almeida, 21, da ocupação Faixa de Gaza, na zona oeste, passava o tempo mexendo no celular, enquanto os outros sem-teto dormiam.
Segundo Eliene, na noite de terça, havia cerca de 50 pessoas no local e o presidente da Casa chegou a dizer no microfone que ia retirar todos.
"Gritamos que era nosso direito ficar aqui e que ele não ia tirar. A gente está aqui para pressionar eles a votarem o plano Diretor até sexta-feira. Nada impede, ontem todos os vereadores estavam aqui, é enrolação deles", falou Eliene.
Eliene disse que ela e outras pessoas, que dormiram no plenário, deixam o local nesta manhã para trabalhar, mas outra "turma" chega para revezar.
Do lado de fora da Câmara, foi montada uma cozinha improvisada e durante a madrugada houve distribuição de jantar para os sem-teto que resolveram acampar. Os mantimentos vieram de todas as ocupações do MTST.
Na fila, muitas pessoas com o kit sem-teto - como eles chamam orgulhosamente o conjunto prato, copo e talheres trazidos de casa- esperavam para comer macarrão, arroz e feijão. Quem não havia trazido o kit recebia talheres, pratos e copos descartáveis.
Quem já havia jantado tentou dormir e se proteger do frio como podia. Muitos montaram barracas com lona plástica e madeira ou utilizaram barracas de camping.
Algumas pessoas colocaram colchões na rua e se protegeram do frio apenas com cobertores. Outros sem-teto, que decidiram de última hora passar a noite na ocupação, dormiram encolhidos de frio no chão.
Alheias ao que acontecia, duas meninas filhas de sem-teto brincavam de correr com um carrinho com uma caixa térmica pelo trecho de rua ocupado pelo grupo.
Resistência
Os sem-teto disseram que vão ficar acampados em frente a Câmara pelo menos até sexta-feira, dia 27, devido à promessa do PT de tentar votar o plano até essa data. Mas eles já admitem que se for necessário ficarão mais tempo no local.
O grupo passou a pressionar a Casa pela aprovação do Plano Diretor depois de um protesto diante da prefeitura em abril, quando o prefeito Fernando Haddad prometeu uma área se os vereadores aprovassem esse projeto.
Ontem, os sem-teto reuniram 1,5 mil manifestantes em frente à Câmara. Bloquearam até a saída do estacionamento de vereadores.
A vigilante desempregada Beatriz Lucia de Matos, da ocupação Copa do Povo, na zona leste de São Paulo, disse que veio preparada para a "luta" e ficará o tempo que for necessário para pressionar a votação dos vereadores. Ela trouxe mala com roupas, colchonete e cobertor para passar a noite no local.
"Nós vamos ficar o tempo que for necessário para a aprovação do Plano Diretor e da lei de zoneamento, porque dependemos desta alteração do zoneamento de terra para tocar o projeto de moradia", disse Beatriz.
O marceneiro Edson Gabriel Silva, 37, da ocupação Nova Palestina, zona sul de São Paulo, que está afastado do trabalho por problemas de saúde, divide uma barraca improvisada com outros amigos.
Silva disse que prefere que o Plano Diretor seja aprovado o quanto antes pelos vereadores, mas fica o tempo que for necessário acampado no local.
"Trouxe mochila com roupas, sabonete, toalha e escova de dente. Só falta um lugar para tomar banho, mas por enquanto. Logo vamos improvisar um", disse.


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