quarta-feira, 22 de abril de 2015

Genocídio pela Corrupção


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O mundo experimenta nessa quadra de sua história, em pleno século XXI, um desamor total à vida, e a morte coletiva, em todos os setores. Foi assim que aconteceu com o povo da Armênia e se repica depois de muitos anos até a atualidade.

No mar mediterrâneo quase mil pessoas naufragam por causa das condições ruins do equipamento de transporte, além disso temos tantos assassinatos acontecendo com uma velocidade impressionante,sem a repulsa e punição necessária.

O fator globalização trouxe muitas vantagens mais se cercou de desvantagens dentre as quais o pequeno apreço pelo semelhante e pela vida. Não há somente genocídio quando se desfigura povos ou gerações,mas quando os governos maltratam seus governados e
impõem sérias derrocadas por causa da corrupção e do descalabro na gestão.

Concernente ao mundo contemporâneo. A África, esse imenso continente, está isolado, esquecido e milhares de pessoas morrem pelo Ebola, ou concausas, quando não se arriscam na vitimização de entradas em outros países, ainda que ilegalmente. A desigualdade social aumentou enormemente e isso provocou dezenas de atropelos,muitos dos quais acarretados pela violência e o uso indiscriminado da droga.

Nesse passo precisamos urgentemente tentar resgatar menos consumo, materialismo e desenhar um ponto de encontro entre o convívio natural das pessoas. Essa escalada da violência permite concluir que a prevenção está cada vez mais falha, daí porque os atalhos se alargam e demonstram uma lacuna, espaço e falha desigual entre tantos no planeta.Essa qualidade de vida tem uma queda acentuada, e metade da população sobrevive com valores irrisórios.

Temos uma concentração de cem grandes corporações, as quais se apresentam no cenário internacional e ganham quanto e quando querem. Isso significa uma tecnologia de ponta que cria dependência entre as pessoas, de tal forma que a circunstância geral um desassossego generalizado.

Em campos de futebol violência, no Brasil e no exterior, nas quadras de esporte igualmente, tudo a evidenciar que as pessoas hoje por pouco ou quase nada perdem suas vidas em perspectivas destruidoras e desumanas.

No viés descortinado, o desgoverno generalizado pontua uma causa substancial, qual seja a desabrida dependência do capital e do consumo, e com tal mecanismo um perfil desastroso que se apresenta no atual século.

Dessa forma o genocídio não é apenas causado pela destruição de pessoas quando o barco afunda, quando se mata uma geração, ou se assassina pelo vil metal, mas por omissão e toda a forma desencadeadora de um processo que é capaz de eliminar a sobrevivência com dignidade.

Nada importa que uma parte seletiva tenha uma vida acima do padrão e a outra, a maioria, sem um mínimo critério ou forma consentânea de reviver os limites mínimos que campeiam a vida em sociedade.

A corrupção talvez seja a forma mais perversa de causar um genocídio a longo prazo, pois que causa exclusão social, eliminar empregos, e coloca muitos na expectativa de não conseguirem um amanhã seguro.

Prefeituras e Estados ameaçados de não terem o retorno da arrecadação, royalties prometidos para educação porém até lá não chegam, já que tudo se elimina pelo caminho e a pulverização dos recursos financeiros traz o abandono generalizado.

Essa situação é própria e peculiar de nossa carente América Latina, sempre no caminho da mão simples de um campo minado de querer traduzir a graciosidade e demagogia de governos que se intitulam na formatação de um amanhã planejado.

A involução da humanidade chega ao seu ponto máximo, e tudo sonega o verdadeiro instrumento de abastecer a vida moral, a completude ética e a decência em todos os campos.

Na permanência de um genocídio já preparado e com o tempo passando por largos espaços entre o luxo de poucos e o lixo de mundos, temos que reconstruir a sociedade e colocar plataformas capazes de servirem de ponte para um endereçamento certo e preconizado na história milenar.

A civilização de hoje vai perdendo seu tempo, seu espaço e seu lugar com a ameaça constante de governos, empresas e todo o tipo de inserção fora da realidade.

Dessa forma cumpre a cada um e a todos a luta constante para dissipar qualquer tipo de constrangimento ao cidadão e aos direitos de sua dignidade.

Valorizar a vida como essência em transformação, nada mais, nada menos,
proclama o encontro da criatura com o seu criador.

Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP com Especialização em Paris e Pesquisador na Alemanha, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.


fonte: http://www.alertatotal.net/2015/04/genocidio-pela-corrupcao.html