quarta-feira, 22 de abril de 2015

O motivo para triplicarem agora o Fundo Partidário



Cassio Curvo - Vale a pena ler o editorial do jornal O Estado de São Paulo para saber o motivo para triplicarem agora o fundo partidário, aumentando os recursos do fundo de R$ 289,5 milhões para R$ 867,5 milhões, isso em plena tentativa de contenção de gastos do governo.
O PT está endividado, muito endividado. A operação Lava Jato cortou a nova modalidade de "doações legais" em que o partido pegava dinheiro ilegal e utilizando o carimbo do TSE, realizava a lavagem do dinheiro. O crime perfeito ... imaginavam os bandidos.
Por isso existe também o risco de que essas condenações que atingirem o partido sejam de multas milionárias, que o partido terá que pagar e que poderá até inviabilizar a sua sobrevivência. Como o valor deverá ser muito elevado, neste caso não será possível conseguir o dinheiro apenas com vaquinhas, como fizeram para José Dirceu, nem repassar para os filiados, já que muitos destes estão se ocupando apenas das manifestações em defesa do governo. Por isso acharam mais fácil repassar esse custo ao contribuinte, e ontem o deputado petista, José Guimarães (PT), o que teve um assessor pego com dólar na cueca, e claramente a favor, disse que há uma "celeuma" na repercussão do caso.
Pois é ...
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Uma afronta aos brasileiros - O Estado de São Paulo
É uma afronta aos brasileiros, que se mobilizam para exigir mudanças: enquanto a equipe econômica tenta cortar investimentos e despesas de custeio para viabilizar o necessário ajuste fiscal, o Congresso propõe e a presidente da República aprova a triplicação da "mesada" aos partidos políticos. O Orçamento-Geral da União para 2015 foi sancionado por Dilma Rousseff sem veto à proposta de aumento do Fundo Partidário de R$ 308,2 milhões para R$ 867,5 milhões. O Fundo é uma das principais fontes de receita para os partidos políticos.
O incremento substancial do Fundo Partidário, em proporção sem precedentes, no momento em que o governo se debate com a necessidade de ajustar suas contas e os protestos populares se estendem aos políticos e aos partidos em geral, é mais uma demonstração de que Dilma Rousseff é incapaz de resistir à chantagem daqueles de cujo apoio necessita para fazer o que chama de "governar".
Por detrás dessa aberração está, para começar, uma organização político-partidária anacrônica e totalmente comprometida com a mentalidade patrimonialista que, salvo poucas e honrosas exceções, transformou os partidos políticos num fim em si mesmos, em porta de acesso a vantagens e privilégios pessoais. Além disso, há a penúria em perspectiva que apavora o partido do governo, desmoralizado pela exposição da corrupção endêmica que inibe as grandes corporações empresariais de continuar investindo pesadamente em "doações legais" ao PT. Além disso, o PT, como óbvio protagonista do propinoduto da Petrobrás - e sabe-se lá de quantos outros -, pode ser obrigado pela Justiça a ressarcir os cofres públicos que foram assaltados.
Segundo apurou a Folha de S.Paulo junto a dirigentes petistas e técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato pode resultar na "inviabilização" do funcionamento do partido, em decorrência das pesadas multas a que se pode tornar sujeito, e até mesmo da cassação do registro da legenda.