quarta-feira, 17 de outubro de 2012

No Brasil, salário mínimo compra duas cestas básicas; nos EUA, seis



Quem ganha o salário m4444444444444444ínimo no Brasil é capaz de comprar apenas duas vezes por mês os itens que o Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) usa como parâmetro da cesta básica do País. Nos Estados Unidos, o salário mínimo local permite adquirir quase seis vezes os mesmos produtos, segundo um levantamento feito porAlcides Leite*, colaborador do Radar Econômico.
Toda quarta-feira, este blog apresenta uma comparação de preços de produtos em diversos países. Desta vez, Leite inclui também a comparação dos salários mínimos e médios em sete nações, além do Brasil.
Aqui, o salário mínimo, de R$ 545, ou US$ 333, vale duas cestas, que saem por R$ 269, ou US$ 166, segundo o Dieese. Nos EUA, com um salário mínimo (US$ 1.160) é possível comprar no supermercado D’Agostino, em Nova York, todos os itens da cesta básica brasileira  quase seis vezes.
Nesse tipo de comparação, a França foi, entre os países estudados, o que apresentou melhor situação. Com um salário mínimo, de US$ 1.950, compram-se mais de nove cestas básicas. O pior cenário é o do México, onde um salário compra apenas uma cesta.
Se considerado o salário médio da população, a melhor situação é a do Reino Unido, onde se compram quase 20 cestas. Nos EUA, o salário médio compra mais de 15; no Brasil, menos de 6; na Argentina, mais de 8.
Veja abaixo quantas cestas básicas (considerando sempre os itens padrões do Brasil) é possível comprar em cada país (em US$):
País
Preço cesta
Salário mínimo
Salário médio
Cesta/s. mínino
Cesta/s. médio
Brasil / Dieese
165,75
333,33
961,11
2,01
5,8
Brasil supermerc.
156
333,33
961,11
2,14
6,16
Argentina
450,98
256,63
1.029,41
3,61
8,24
Chile
169,8
367,1
1.008,58
2,16
5,94
Uruguai
148,47
256,63
628,98
1,73
4,24
México
147,99
154,05
515,02
1,04
3,48
Estados Unidos
198,58
1.160
3.148,76
5,84
15,86
França
209,63
1.950
2.954,29
9,03
14,09
Reino Unido
185,37
1.530,32
3.632,85
8,26
19,6

OBS: No México, os salários são excepcionalmente baixos porque são consideradas 30 horas semanais. Supermercados utilizados: Sonda (São Paulo), Coto (Buenos Aires), Líder (Santiago), Devoto (Montevidéu), Superama (Cidade do México), D’Agostino (Nova York), Carrefour (Paris), Tesco (Londres). Fontes de salários: sites oficiais de estatísticas de cada país.
O economista Paulo Rabello de Castro** comenta os números:
“Apesar da carga tributária elevada, a cesta básica brasileira é bastante competitiva, comparando com outros países da lista. Em valores, só perde para a Argentina e empata com o Chile, por exemplo.
O agronegócio brasileiro, que, a despeito de enfrentar fatores adversos como logística cara, desperdício em embarques e desembarques, dificuldade de recuperação do crédito tributário, dupla tributação em diferentes momentos da cadeia produtiva, preço elevado de energia elétrica e alto custo financeiro, com maiores juros do mundo, é bastante competitivo. Esse conjunto de dificuldades estruturais, chamado custo Brasil, pesa muito na hora em que o agricultor tira o produto do campo. Ele é obrigado a ter sucesso da porta para dentro para compensar os problemas da porta para fora.
O produtor e a família brasileira seriam beneficiados com uma carga tributária mais racional. O produto seria embarcado por um preço menor, impactando positivamente as receitas das exportações e o saldo comercial. Já o rendimento das famílias também seria maior, com consequente aumento do poder de compra.”
* Alcides Leite é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e analista-inspetor concursado do Banco Central. Autor de “Brasil, a trajetória de um país forte”.
** Paulo Rabello de Castro é coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), que reúne mais de 80 entidades empresariais em defesa da simplificação fiscal e maior eficiência nos gastos públicos. Recentemente, lançou campanha pela subscrição de abaixo-assinado, no site www.brasileficiente.org.br, que pretende recolher 1 milhão de assinaturas para transformar em projeto de lei suas propostas.
fonte: Estadão