terça-feira, 12 de maio de 2015

PLANALTO CEDE CARGOS PARA NOVA VOTAÇÃO DO AJUSTE FISCAL

COM O GESTO, DILMA DECIDIU PRIVILEGIAR O SETOR DO PP QUE VOTOU COM O GOVERNO NA MP 665


A PRESIDENTE TEME UMA DERROTA NA ANÁLISE DA MP 664 FOTO: RICARDO PENNA
Temendo uma derrota na análise da medida provisória que endurece o acesso a benefícios
 previdenciários, a presidente Dilma Rousseff decidiu entregar dois postos do segundo escalão 
a setores fiéis ao governo em partidos da base que se dividiram na votação da primeira etapa do ajuste fiscal.
Para aprovar na Câmara a MP 664, que torna mais rígido o pagamento da pensão por morte e do auxílio-doença, Dilma deve tirar a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) 
do PT e entregá-la a um indicado do PP. E deve manter a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sob a influência do PTB.
Com o gesto, Dilma decidiu privilegiar o setor do PP que votou com o governo na semana passada ao
 aprovar a MP 665, que entre outros pontos dificulta o recebimento do seguro-desemprego e do 
abono salarial. Na ocasião, 18 dos 39 votantes do PP se manifestaram contrários ao governo. 
No PTB, houve 11 votos contra o ajuste entre os 24 presentes.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na sexta-feira, o ministro Aloizio Mercadante 
(Casa Civil) disse que os parlamentares que apoiaram o governo teriam preferência 
na distribuição dos cargos do segundo escalão. "É evidente que quem vota com 
governo terá preferência", disse.
Em outro gesto à base, Dilma convidou o ministro do Trabalho, Manoel Dias, do PDT,
 partido que votou em bloco contra a MP 665, para retornar de Joinville ontem de
 carona no Airbus presidencial, após o enterro do senador Luiz Henrique (PMDB-SC).
Obstáculos
As dificuldades previstas para a MP 664 pela Câmara foram debatidas ontem em reuniões coordenadas pelo vice-presidente Michel Temer. Embora o grosso do impacto fiscal esteja na proposta aprovada pela Casa e agora em discussão no Senado, a avaliação do Planalto é que temas previdenciários têm forte apelo entre os deputados. O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), alegou a existência de uma cláusula pétrea no estatuto do partido e disse ontem haver "muita dificuldade" para votar a MP 664.(AE)



FONTE: http://www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=31739238016