sexta-feira, 18 de julho de 2014

INTERNET COMUNISTA- BRICS CABLE EXPLICA O MARCO CIVIL DA INTERNET..

brics-cable
Chama-se Brics Cable e se apresenta como uma infraestrutura alternativa em um mundo que se encontra em meio a importantes desafios econômicos. Pois, atualmente, os países Brics estão conectados entre si através de centros de telecomunicações situados na Europa e nos Estados Unidos, o que supõe custos elevados.
Trata-se de um sistema formado por cabos de fibra ótica de 34.000 quilômetros de longitude, com uma capacidade de 12,8 terabits por segundo, que unirá a Rússia, a China, a Índia, a África do Sul e o Brasil (ou seja, os Brics), com os EUA. Sua finalidade será garantir a milhões de pessoas um acesso a Internet fácil e barato.
Oferecerá também acesso imediato dos países do bloco a 21 países africanos e permitirá que essas nações tenham acesso às economias dos Brics.
As etapas de planejamento e factibilidade começaram em março de 2011, poucos meses depois da admissão da África do Sul no bloco econômico; e se estima que o sistema entrará em funcionamento a partir do segundo semestre de 2014.
“O público em geral não conhece boa parte do plano dos Brics. No entanto, é muito real e extremamente eficaz”, afirma a página web Planet Infowars, que afirma que investidores de todo o mundo já demonstraram interesse nesse projeto sem precedentes.


Após a divulgação de que a NSA (EUA) interceptou comunicações de latino-americanos, espionou a petroleira brasileira Petrobras e aos cidadãos que confiaram seus dados pessoais a companhias como Facebook e Google, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, ordenou uma série de medidas para combater a espionagem dos EUA. Iniciativas que se somariam a dessa nova infraestrutura.
Um vídeo (em inglês) publicado na página web de Brics Cable explica detalhadamente esse novo sistema.
Com informações de Adital.



BRICS Cable: levando a cabo uma resposta brasileira à espionagem internacional?, por Gills Lopes



No mês de setembro de 2013, em meio às polêmicas causadas pelas revelações feitas por Edward Snowden e o cancelamento da viagem da Presidenta Dilma Rousseff aos EUA, o governo brasileiro assume uma dupla alocução: o País está vulnerável a ataques cibernéticos (Cruvinel e Cavalcanti, 2013; Ministério da Defesa, 2013); e a atual governança da Internet não reflete os interesses das nações, sobretudo das emergentes (ONU, 2013).
Em relação à primeira alocução, vê-se um grande esforço, por parte do Executivo nacional – principalmente, por meio do Ministério da Defesa e de órgãos ligados à Presidência da República –, em difundir debates e soluções em matéria de segurança e defesa cibernéticas. Provas disso são: os investimentos, nessa seara, impulsionados pelos grandes eventos esportivos (Espindula et alli, 2013); e a realização de eventos civis-militares, como o XII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos deste ano, promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e cujo tema é “O Setor Cibernético Brasileiro: Contexto Atual e Perspectivas” (ENEE, 2013).
Já a segundo alocução se baseia principalmente no discurso feito pela presidenta Dilma Rousseff, na abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em 24 de setembro de 2013, em que ela afirma que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de umframework multilateral e civil para a governança da Internet, a fim de se assegurar a efetiva proteção dos dados que trafegam através da web (ONU, 2013).
Antes mesmo de tal pronunciamento solene, a imprensa (Adital, 2013; Sarkis, 2013; Washington Post, 2013) já falava no desenvolvimento de uma “nova Internet” – independente dos EUA e da Europa e baseada no chamado BRICS Cable – como represália à espionagem feita contra a Presidenta e a Petrobrás. Todavia, há que se notar que oBRICS Cable, como o próprio nome remonta, é um projeto conjunto dos países que integram o BRICS. Seu principal objetivo é criar uma rede submarina de 34.000 km de fibra óptica –grosso modo, a fibra óptica traz ganhos significativos, se comparada aos chamados cabos metálicos, uma vez que, ao contrário destes, aquela é imune a interferências/ruídos eletromagnéticas (Marin, 2013) – que interligue os países do bloco, os países africanos e os EUA (BRICS Cable, 2013). A Figura 1 apresenta as cidades responsáveis por serem os “nós” do BRICS Cable.
FIGURA 1 – Mapa do sistema lógico do BRICS Cable
 fig 1
BRICS Cable já está sendo implementado e sua conclusão está prevista para meados de 2015 (BRICS Cable, 2013). Portanto, a criação do BRICS Cable é ex-ante às revelações que fizeram a presidenta Dilma cancelar sua ida a Washington, a saber: a divulgação de que ela própria e a Petrobrás tinham sido espionados. Por outro lado, o fato de se utilizar do BRICS Cable como uma forma de consubstanciar a insatisfação brasileira frente às respostas dadas pela Administração Obama quanto ao caso é realmente uma cartada a ser levada em conta pelos EUA, sobretudo por causa da participação chinesa.
Ademais, a proposta brasileira de uma governança da Internet está baseada também numa gerência multistakeholder da Internet. Dentre as discussões sobre governança da Internet – vale lembrar que a ONU possui um fórum específico para tratar dessa questão, o Internet Governance Forum –, tem-se colocado o modelo brasileiro como uma – senão a – dos melhores a ser replicado mundialmente. No território tupiniquim, a Internet é “governada” pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, o CGI.Br, o qual se baseia em princípios como o da neutralidade da rede, ou seja, “todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma e com a mesma velocidade” (Blog do Planalto, 2013). A composição do CGI.Br também é considerada democrática, pois sua Secretaria Executiva é composta por representantes eleitos da sociedade civil e do governo, conforme a Figura 2.
FIGURA 2 – Composição da Secretaria Executiva do CGI.Br
fig 2
Uma rede neutra baseada no BRICS Cable per se não é garantia de que a mesma é segura, pois falta ainda aos países do BRICS o domínio de tecnologias, como as da informação e da comunicação. O Brasil, por exemplo, desde 2008, quando da publicação da Estratégia Nacional de Defesa, inseriu o setor cibernético como um dos três setores estratégicos e imprescindíveis para defesa e o próprio desenvolvimento nacional. O caso Snowden vem apenas reforçar essa necessidade de P&D e C&T nessa área.
Nesse sentido, a ideia da criação de uma rede neutra e desconectada dos principais polos de poder internacional pode até ser tecnologicamente executável (Sarkis, 2013), mas se mostra politicamente inviável, sobretudo num mundo cada vez mais interconectado. Não obstante, pelo discurso da presidenta Dilma, o BRICS Cable pode ser o aspecto pragmático que faltava ao discurso idealista.
Referências
ADITAL (2013). O sistema de Internet dos Brics poderia pôr fim a uma Rede dominada pelos EUA. Disponível em: [http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=77743]. Acesso em: 24/09/2013.
BLOG DO PLANALTO (2013). Na ONU, Dilma propõe governança global para internet. Disponível em: [http://blog.planalto.gov.br/na-onu-dilma-propoe-governanca-global-para-internet]. Acesso em: 25/09/2013.
CRUVINEL, Tereza; CAVALCANTI, Leonardo (2013). Celso Amorim diz que Brasil é vulnerável contra ataques cibernético. Disponível em: [http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,14/2013/09/22/interna_politica,389429/celso-amorim-diz-que-brasil-e-vulneravel-contra-ataques-cibernetico.shtml]. Acesso em: 25/09/2013.
ENEE (2013). XII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos. Disponível em: [http://www.sae.gov.br/enee]. Acesso em: 25/09/2013.
ESPINDULA, Victor M.; GUERREIRO, Tiarajú M.; LOPES, Gills. Análise da Política Cibernética de Defesa brasileira à luz dos Estudos Estratégicos. Disponível em: [http://www.sebreei.eventos.dype.com.br/resources/anais/21/1366050740_ARQUIVO_AnalisedaPoliticaCibernetica.pdf]. Acesso em: 24/09/2013.
MARIN, Paulo S. (2013). Cabeamento estruturado. 4. ed. São Paulo: Érica, 338 p.
MINISTÉRIO DA DEFESA (2013). “O Brasil também quer ser um provedor de paz”, diz ministro Amorim em palestra no Instituto Rio Branco. Disponível em: [http://defesa.gov.br/index.php/ultimas-noticias/8809-20-09-2013-defesa-o-brasil-tambem-quer-ser-um-provedor-de-paz-diz-ministro-amorim-em-palestra-no-instituto-rio-branco]. Acesso em: 24/09/2013.
ONU (2013). Statement by H. E. Dilma Rousseff, President of the Federative Republic of Brazil, at the Opening of the General Debate of the 68th Session of the United Nations General Assembly. Disponível em: [http://gadebate.un.org/sites/default/files/gastatements/68/BR_en.pdf]. Acesso em: 25/09/2013.
SARKIS, Marcelo. Dilma traça plano para emancipar internet brasileira. Disponível em: [http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/tecnologia/noticia/2013/09/dilma-traca-plano-para-emancipar-internet-brasileira-4278878.html]. Acesso em: 24/09/2013.
WASHINGTON POST (2013). Experts see potential perils in Brazil push to break with US-centric Internet over NSA spying. Disponível em: [http://www.washingtonpost.com/world/europe/experts-see-potential-perils-in-brazil-push-to-break-with-us-centric-internet-over-nsa-spying/2013/09/17/c9093f32-1f4e-11e3-9ad0-96244100e647_print.html]. Acesso em: 25/09/2013.

Gills Lopes é Doutorando em Ciência Política – Relações Internacionais – pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Graduando em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB e Bolsista do Pró-Estratégia da Coordenação de Aproveitamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República – SAE/PR (gills.lopes@ufpe.br).



Notícia com vídeo relacionadoO sistema de Internet dos Brics poderia pôr fim a uma Rede dominada pelos EUA
RT
Adital
O bloco dos Brics está cada vez mais perto de criar um novo sistema que garanta um acesso a Internet simples e barato para milhões de pessoas. Dessa forma, acabaria a hegemonia dos EUA na Rede.
Tradução: ADITAL

Chama-se Brics Cable e se apresenta como uma infraestrutura alternativa em um mundo que se encontra em meio a importantes desafios econômicos. Pois, atualmente, os países Brics estão conectados entre si através de centros de telecomunicações situados na Europa e nos Estados Unidos, o que supõe custos elevados.

Trata-se de um sistema formado por cabos de fibra ótica de 34.000 quilômetros de longitude, com uma capacidade de 12,8 terabits por segundo, que unirá a Rússia, a China, a Índia, a África do Sul e o Brasil (ou seja, os Brics), com os EUA. Sua finalidade será garantir a milhões de pessoas um acesso a Internet fácil e barato.

www.bricscable.com

Oferecerá também acesso imediato dos países do bloco a 21 países africanos e permitirá que essas nações tenham acesso às economias dos Brics.
As etapas de planejamento e factibilidade começaram em março de 2011, poucos meses depois da admissão da África do Sul no bloco econômico; e se estima que o sistema entrará em funcionamento a partir do segundo semestre de 2014.
"O público em geral não conhece boa parte do plano dos Brics. No entanto, é muito real e extremamente eficaz”, afirma a página web Planet Infowars, que afirma que investidores de todo o mundo já demonstraram interesse nesse projeto sem precedentes.
Após a divulgação de que a NSA (EUA) interceptou comunicações de latino-americanos, espionou a petroleira brasileira Petrobras e aos cidadãos que confiaram seus dados pessoais a companhias como Facebook e Google, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, ordenou uma série de medidas para combater a espionagem dos EUA. Iniciativas que se somariam a dessa nova infraestrutura.
Um vídeo (em inglês) publicado na página web de Brics Cable explica detalhadamente esse novo sistema.
"Na arena internacional, a ordem tradicional, que estava liderada pelo denominado Norte e Ocidente, já não domina”, afirma-se no início da gravação.

RT

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