quarta-feira, 22 de julho de 2015

CONEXÃO PORTUGAL: LULA , JOSÉ DIRCEU, SÓCRATES E UMA INTRINCADA NEGOCIATA DE 7,5 BILHÕES DE EUROS. IMPRENSA PORTUGUESA DÁ AMPLO DESTAQUE ÀS INVESTIGAÇÕES. por Aluizio Amorim

Facsímile da edição desta quarta-feira do jornal português Correio da Manhã referente à chamada de reportagem que liga Lula ao ex-premiê português José Sócrates que se encontra em prisão preventiva desde novembro do ano passado acusado de corrupção e lavagem de dinheiros. As autoridades portuguesas estão sintonizadas com a Operação Lava Jato dado ao fato de que Lula e José Dirceu são mencionados em negociatas que os vinculam ao socialista José Sócrates.
É o que pode se denominar “Conexão Portugal”, uma teia de negociatas que envolve o ex-premiê português José Sócrates, em prisão preventiva desde de novembro do ano passado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro com vinculação, segundo a imprensa de Portugal, a Lula e José Dirceu. 
Por enquanto, no Brasill é apenas o site O Antagonista que vem dando cobertura esses fatos que estão, ao mesmo tempo, dentro da Operação Lava Jato.
Na sequencia reproduzo matérias de O Antagonista e do jornal português ‘Público’, em sua edição desta quarta-feira. 
Sob o título “Lula, Sócrates e comissões de 200 milhões de Euros, O Antagonista revela o seguinte com base em matéria do jornal Correio da Manhã de Lisboa:
A imprensa portuguesa não perde o foco. Depois que a Lava Jato pediu ajuda às autoridades de Portugal para investigar as ligações entre Lula e José Sócrates, o ex-primeiro-ministro que está em prisão preventiva desde novembro do ano passado (sem colocar em risco o Estado de Direito), os jornais de lá vêm dando com destaque os detalhes do pedido e os seus desdobramentos.
O Correio da Manhã, de Lisboa, abriu hoje a seguinte manchete: "Justiça procura comissões do Brasil".
A reportagem diz que o veto de José Sócrates à venda da participação da Portugal Telecom na Vivo à espanhola Telefônica inflacionou o preço em 1 bilhão de euros e "ditou, em troca, a entrada da Portugal Telecom na brasileira Oi". A suspeita é que tudo foi combinado entre o ex-primeiro-ministro português e Lula, para garantir "comissões" polpudas a políticos e apaniguados dos dois lados do Atlântico. O valor total das comissões é avaliado pelos procuradores da Lava Jato em cerca de 200 milhões de euros.
As autoridades portuguesas vão esmiuçar os dados bancários de Carlos Santos Silva, laranja de José Sócrates, para verificar quando foi parar no bolso de José Sócrates. Todas as informações fornecidas pelo Brasil darão origem a inquéritos autônomos ou poderão ser anexadas ao "Processo Marquês", que colocou o ex-primeiro-ministro português em prisão preventiva.
Portugal redescobriu o Brasil. Do site O Antagonista


Facsímile de chamada do jornal português 'Público', destacando também as investigações das autoridades portuguesas que seguem o trajeto do dinheiro fruto de misteriosas transações.
NEGÓCIO DE 7,5 BILHÕES DE EUROS E SUSPEITA DE PROPINAS 
FANTÁSTICAS
Aqui a reportagem do jornal "Público", de Portugal:
No quadro da colaboração com as autoridades brasileiras, o Ministério Público quer apurar o envolvimento de ex-governantes, accionistas e gestores num negócio de 2010 que envolveu 7,5 mil milhões de euros.
O Ministério Público está já a investigar o envolvimento político no negócio de venda à Telefónica das acções da PT na brasileira Vivo e o cruzamento de posições accionistas com a operadora brasileira Oi, no qual interveio José Dirceu, o principal rosto do caso Mensalão e agora atingido pela Operação Lava Jato. Suspeitas de benefícios financeiros, no valor de várias dezenas de milhões de euros, concedidos a governantes, accionistas e quadros de topo das operadoras podem estar na origem das averiguações.
“As investigações relacionadas com os temas abordados no emailencontram-se em segredo de justiça.” Esta foi a resposta do Ministério Público a três perguntas concretas do PÚBLICO. Uma questionava se o MP "está a investigar os movimentos financeiros que envolveram gestores da PT e governantes portugueses e brasileiros, nomeadamente em 2010 durante o negócio de venda das acções da Vivo (50%) detidas pela PT à empresa espanhola Telefonica (que pagou 7500 milhões de euros) e consequente entrada da brasileira Oi na PT e da PT na Oi". Referia-se aqui que "informações recolhidas pelo PÚBLICO apontam para movimentos de verbas 'extra' que podem ter rondado 200 milhões de euros". Este foi um negócio de contornos complexos que se concretizou num tempo recorde: menos de um mês.
A segunda pergunta do PÚBLICO visava esclarecer se o MP confirmava ter recebido um pedido de colaboração das autoridades policiais brasileiras para apurar a abrangência dos contactos que se estabeleceram entre 2005 e 2011 entre os círculos próximos” do ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e os do ex-primeiro-ministro José Sócrates. Há precisamente cinco anos, Sócrates e Lula da Silva falaram várias vezes ao telefone. As conversas decorreram entre o final de Junho e o final de Julho e destinaram-se a encontrar uma solução para ultrapassar o impasse provocado pelo veto de Sócrates à venda, à Telefónica, das acções da PT na brasileira Vivo.   
A 25 de Junho de 2010 o ex-primeiro-ministro faz saber que deu orientações à Caixa Geral de Depósitos, com 8% da PT, para, na assembleia geral de 30 de Junho, votar contra o negócio. Isto desencadeia um braço-de-ferro com a gestão da PT (Zeinal Bava e Henrique Granadeiro), alinhada com Ricardo Salgado, que liderava o BES, o principal accionista da operadora com 10% do capital. Uma das raras vezes em que Salgado (o principal visado nas inquirições ao GES/BES) esteve de costas voltadas para Sócrates.
O antigo chefe de Governo justificava a sua posição com uma tese antiga: “o interesse estratégico" do Brasil, a “dimensão e escala da PT”, garantir que Portugal tinha no sector económico das TIC "uma empresa com uma dimensão internacional que permita desenvolver engenharia, projecto industrial, inovação, concentrar investimentos na área da I&D Investigação & Desenvolvimento)”. E, em consonância, na reunião de 30 de Junho jogou mesmo com a golden share ("acção de ouro", com poder de decisão) e travou a operação. Só restava ao BES, à Ongoing (10%), à Visabeira (2%) e à Telefónica (9,7%) encontrarem para a PT uma solução brasileira alternativa à Vivo. O que é desencadeado num quadro de urgência para o BES (e para a Ongoing endividada), a enfrentar um aperto financeiro na sequência da crise de 2007. E hoje sabe-se que desde 2008 que a ESI, a cabeça do GES, tinha um buraco nas contas de 1300 milhões de euros ocultado do Banco de Portugal até Novembro de 2013, cerca de nove meses antes do BES ser intervencionado.
Começou então uma corrida contra o tempo para contornar o bloqueio político, o que exigiu um trabalho grande de bastidores. A solução foi rapidamente encontrada em Brasília, que sugeriu à PT que avaliasse a Oi (mais forte no segmento fixo do que no móvel) como potencial parceira. Idealizada como um grande operador brasileiro, a Oi necessitava de consolidar uma estrutura accionista alavancada no banco estatal brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por outro lado, a Oi aparecia como uma resposta à exigência de Sócrates de que a PT se mantivesse com presença no Brasil.
Uma das figuras que apareceu a promover os contactos entre portugueses, brasileiros e espanhóis foi José Dirceu, que foi chefe da Casa Civil do ex-Presidente da República Lula da Silva e acabou detido em 2012, acusado de ser “o cabecilha” do caso Mensalão. Dirceu (José Dirceu Oliveira e Silva), o arquitecto da campanha que levou Lula da Silva ao Palácio do Planalto em 2003, prestava serviços a empresas, em particular às envolvidos em grandes negócios a necessitar de avales políticos, uma acção que decorria através das sociedades de advocacia e de consultoria, designadas Oliveira e Silva, JD Consultores e JC&S ainda no activo. Do site do jornal Público- Leia mais cliccando AQUI



fonte: http://aluizioamorim.blogspot.com.br/2015/07/conexao-portugal-lula-jose-dirceu.html